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Cristina Branco
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The Portuguese Guitar (Portuguese)

Há quem afirme que a Guitarra chega à Europa, por ser o instrumento que acompanhava uma dança congolesa que dá por nome de "Lundum" e que por arrasto,fora impostada para o Brasil e logo, para Portugal. Outros dizem que a sua origem é bem mais longínqua, e julga-se ser esta opinião a mais correcta, já que firma as suas raízes na "Lira" tocada na Grécia Antiga e que mais tarde foi aperfeiçoada para o instrumento que dá por nome "Cítara". Ora,este objecto consta também de 12 cordas tal como a "Guitarra Portuguesa". O seu aparecimento dá-se em meados do séc.XVIII, e como já disse, surge como acompanhamento de uma dança que se popularizou como "Lundum" e como tal, foi importada para o nosso país. considerado um instrumento popular, servia para acompanhar rítmos como o "Fandango" e as "Modinhas". Antes da introdução do Piano em Portugal, a Guitarra era o instrumento preferido das salas de sua Majestade, e mesmo depois, continuou a ouvir-se os seus rítmos estridentes par a par com o Piano. As Damas da Côrte estudavam a arte de tocar Guitarra tal como aprendiam a tocar "Cravo". Assim como a Guitarra foi o instrumento favorito, tanto das Senhoras como dos vagabundos, no reinado de Luís XV, assim também se ouviam gemer as cordas metálicas das Guitarras desde os salões dourados do Marquês de Marialva até aos becos sombrios do Bairro Alto e de Alfama no último quartel do Século XVIII.

Em 1786, um outro método de tocar Guitarra, foi introduzido por Mestre António Silva Leite (Mestre de Capela), natural da cidade do Porto. Este método consistia na mesma afinação da "Cítara", que era:

SI MI
SI
( ) (a) (e)
( ) (a) (d)

Este método é ainda hoje utilizado para a tradicional Guitarra de Lisboa; na Guitarra de Coimbra, a mesma afinação permanece num tom abaixo. Depois de aprendido o método, cada guitarrista "explora" o instrumento que varia de indivíduo para indivíduo, já que a "alma" da Guitarra Portuguesa está no som que cada um tira desse instrumento. Assim sendo, é bastante peculiar a diferença sonora que existe entre cada instrumentista, daí ser de certo modo fácil identificar quem toca. O que condiciona também este facto é cada indivíduo produzir a sua própria unha artificial para o indicador direito, enquanto a unha do polegar já pode ser comprada com medida universal. A unha para o indicador pode ser então de enúmeros formatos, ao gosto de cada um_desde as mais pequenas, maiores, mais achatadas ou côncavas; tal como de vários materiais, por exemplo a Tartaruga, o PVC ou plástico.

2.

Falar de alma para tocar Guitarra, talvez possa parecer estranho, mas o facto de ser um instrumento de raízes populares, sem características clássicas e ainda p’ra mais tocado sem aprendizagem musical, implica que seja uma paixão maior aprender de ouvido a tocar um instrumento e dele tirar o maior partido possível _ a identificação que cada indivíduo cria com o seu instrumento é por demais evocada; a afinidade entre ambos provoca ao ouvido de quem escuta a clareza do mais cristalino dos sons, daí a expressão _ "este som está-me na alma" _, lembra saudade, aquela que já os nossos ancestrais descobridores falavam quando partiam "...por mares nunca dantes navegados..." Na Guitarra Portuguesa tal como existem duas afinações diferentes _

3.

Lisboa e Coimbra _ também para estes dois métodos existem formatos diferentes. O que básicamente as diferencia é a sua voluta _ na Guitarra de Lisboa esta termina em forma de caracol, na de Coimbra termina em forma de lágrima. No formato da caixa, a diferença reside no tamanho; a de Lisboa é mais pequena que a de Coimbra. Também no encordoamento a diferença é notória, senão vejamos: Tradicional de Lisboa 10, 8 e 6 (si) (lá) (mi) Coimbra 8, 6 e 4 _ (visto que o instrumento afina um tom abaixo da de Lisboa).

4.

A Guitarra começou por ser construída em Inglaterra, por mr Simpson, mas também Luís Cardoso Soares Sevilhano era um excelente construtor, rivalizando com o primeiro.\ Será importante também mencionar, que uma Guitarra demora em média a construir 2 a 5 anos, já que todo o trabalho requerido é manual; importante é também o facto de só existirem 3 construtores em todo o país. Este instrumento pode custar entre 300 e 500 Mil Escudos. O preço elevado deve-se ao facto de, como já disse, ser um trabalho absolutamente manual e também pelo tempo que demora a arranjar madeiras de qualidade para este efeito, uma vez que a madeira para construir uma Guitarra tem de ser completamente seca à sombra, o que pode levar anos. A madeira usada para executar este tipo de trabalho é o chamado Pau Santo Brasileiro ou a Nogueira Inglesa. Cada uma destas madeiras produzem no fim de devidamente construídas, sons absolutamente distintos, cabendo ao instrumentista, uma vez mais a escolha do material que mais se assemelha ao seu sentir. Como tal, o Pau Santo produz um som médio/agudo e a Nogueira Inglesa, que é de salientar que o instrumento é construído apartir da sua raiz, produz um som médio/grave, (que confere ao instrumento um som mais aberto e consequentemente mais envolvente). Neste caso, o instrumento que vos é dado a observar, é construído em raiz de Nogueira Inglesa e tem uma particularidade interessante que é o facto de o formato da sua caixa de ressonância ser de Lisboa, enquanto o braço é Coimbra; já que a escala de Coimbra tem mais um trasto que Lisboa, facilitando deste modo a sua execução. A caixa é Lisboa, porque a técnica desenvolvida é tradicionalmente Lisboa.


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